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Rio Verde,27/10/2026

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Só 5% das crianças pequenas estão protegidas contra a covid no Brasil; PNI atribui baixa adesão à desinformação


Só 5% das crianças pequenas estão protegidas contra a covid no Brasil; PNI atribui baixa adesão à desinformação FOTO: AGÊNCIA BRASIL

A covid-19 causou mais de mil internações e 25 mortes de crianças e adolescentes no Brasil em 2026. Mesmo assim, apenas 5% das crianças pequenas do país têm o esquema completo, com três doses da vacina, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

O diretor do PNI, Eder Gatti, afirma que o país tem estoques do imunizante e contratos para manter o abastecimento. Ele atribui a baixa cobertura aos ataques contra a vacina feitos durante a pandemia, inclusive por integrantes do governo da época, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à Agência Brasil, Gatti disse que o problema não é exclusivo do Brasil e que o desafio de vacinar crianças contra a covid se repete em vários países.

Mortes e internações

Neste ano, mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos foram hospitalizadas com quadros respiratórios graves causados pelo coronavírus. Entre as 25 que morreram, 15 tinham menos de 2 anos.

Desde 2024, a vacina faz parte do calendário básico aos 6, 7 e 9 meses de idade, mas pode ser aplicada até os 5 anos. Segundo Gatti, cada frasco do imunizante infantil é armazenado congelado e, depois de descongelado, tem validade de dez semanas. Se não for usado nesse prazo, é descartado. Para ele, as doses perdidas são consequência do discurso antivacina.

Segurança da vacina

A vacinação de crianças contra a covid começou no país em janeiro de 2022, cerca de um mês depois da autorização da Anvisa, em meio a embates entre entidades médicas e o governo federal da época. Segundo a reportagem, o Ministério da Saúde chegou a propor que a vacina só fosse aplicada com prescrição médica, e Bolsonaro declarou que não vacinaria a filha, então com 11 anos.

Entre 2020 e 2022, mais de 23 mil crianças de até 11 anos tiveram Síndrome Respiratória Aguda Grave por covid-19, e 1.067 morreram. Um estudo da Universidade de São Paulo, com dados de 24 cidades, mostrou que a vacina reduziu em 97% os casos graves em crianças. A covid também pode causar a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que atinge vários órgãos: de 2020 a 2023, o Brasil registrou 2.115 casos e 142 mortes entre crianças e adolescentes.

Uma pesquisa do IBGE de 2023 apontou que 15% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos não foram vacinados. Entre os responsáveis, quase 40% citaram medo de reação adversa ou de injeção, 22% acharam a vacina desnecessária e 18% disseram não confiar no imunizante.

Segundo o Ministério da Saúde, nas mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças na pandemia, não houve nenhum registro de óbito, e 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, como febre e dor no local. Complicações como miocardite e trombose ocorrem em proporção muito maior em pessoas que tiveram covid do que nas vacinadas, segundo a pasta. Gatti afirma que a vacina passou por todas as fases de teste e é uma das mais estudadas, com cerca de 20 mil trabalhos científicos.

Desde 2024, como a maioria dos adultos já se vacinou, o governo federal prioriza a vacinação de crianças e grupos vulneráveis, como idosos, imunocomprometidos e pessoas com deficiência, que devem tomar reforço periódico.

Balanço do PNI

Gatti conversou com a reportagem durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada nesta semana no Rio de Janeiro. Ele está à frente do PNI desde 2023 e diz que o orçamento do programa quase dobriu, de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o próximo ano.

Outras vacinas do calendário infantil tiveram aumento de cobertura, segundo ele, graças à regularização dos estoques e ao microplanejamento nos municípios. Em 2022, 12 das 16 vacinas do primeiro ano de vida estavam com cobertura abaixo de 80%, e só uma atingiu a meta de 90%. No ano passado, sete superaram 90%. Ainda há duas vacinas abaixo de 80% e outras sete entre 80% e 90%, entre elas a segunda dose da tríplice viral, que protege contra o sarampo.















Entre os resultados preliminares, os casos de bronquiolite em bebês menores de seis meses caíram mais de 50% após a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e o anticorpo monoclonal para prematuros. A vacina contra a dengue, aplicada desde 2024, já somou quase 12 milhões de doses. O Brasil também passou da vacina pneumocócica VPC10 para a VPC20; neste ano, foram mais de mil casos de meningite pneumocócica e 320 mortes.

AGÊNCIA BRASIL




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