GOLPE DOS VALES-ALIMENTAÇÃO: POLÍCIA INVESTIGA FRAUDE EM MAIS DE 220 MUNICÍPIOS
FOTO: POLÍCIA CIVIL A Polícia Civil de Goiás prendeu, nesta quarta-feira (23), duas pessoas suspeitas de integrar um grupo investigado por uma fraude envolvendo cartões de vale-alimentação e vale-refeição. A ação faz parte da Operação Fake Card, que apura um esquema que teria causado prejuízos a comerciantes de diversos estados.As investigações começaram em Barro Alto, em Goiás, e apontam que a empresa investigada tinha contratos com mais de 220 municípios de nove estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
A empresa era contratada pelas prefeituras para administrar os cartões utilizados pelos servidores. Os municípios repassavam os valores integralmente à empresa, que deveria fazer o pagamento aos estabelecimentos onde os funcionários utilizavam os benefícios.
Segundo a Polícia Civil, os pagamentos aos comerciantes começaram a atrasar em 2025 e foram totalmente interrompidos em setembro daquele ano. Somente em Barro Alto, o prejuízo aos estabelecimentos é estimado em mais de 800 mil reais. Um único comércio informou ter perdido mais de 200 mil reais.
A investigação aponta que o problema não seria apenas contratual. A suspeita é de que a empresa mantinha um esquema semelhante a uma pirâmide financeira. Para conquistar os contratos, eram oferecidos descontos considerados muito baixos, que chegavam a 30,5%. De acordo com a polícia, o dinheiro recebido de novos contratos teria sido usado para cobrir pagamentos atrasados de contratos anteriores.
Com a redução da entrada de novos municípios, o sistema teria entrado em colapso e os pagamentos aos comerciantes foram interrompidos.
Quando começaram a ser cobrados, os responsáveis teriam alegado que a empresa havia sido vítima de um ataque hacker. Também teriam mencionado um suposto processo criminal em São Paulo que, segundo a investigação, não existia.
Além das duas prisões, a operação cumpre seis mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 1 milhão. As ordens são cumpridas nas cidades de Barueri, Limeira e São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista e do CiberLab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A investigação também aponta que os suspeitos teriam utilizado outras empresas ligadas ao grupo e contas pessoais para movimentar e ocultar os valores recebidos.
A operação é conduzida pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes, o GREF, da DEIC. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão do esquema.






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